É a primeira pergunta de quase toda conversa, e a resposta honesta incomoda um pouco: depende. Não por falta de vontade de responder, mas porque “site” descreve coisas muito diferentes entre si. Uma página única para uma campanha e um site com dez páginas, área de conteúdo e integrações não são o mesmo produto, do mesmo jeito que uma reforma de banheiro e uma reforma da casa inteira não são.
O que dá para fazer é explicar exatamente o que move o preço para cima e para baixo. Com isso você consegue ler qualquer orçamento e entender o que está comprando.
Por que não existe preço de tabela
Site não é produto de prateleira. O custo é quase todo composto por horas de trabalho e por decisões que só aparecem quando alguém entende o seu negócio. Duas empresas do mesmo setor podem precisar de estruturas bem diferentes: uma vende um serviço só e precisa de objetividade, outra tem cinco áreas de atuação e precisa organizar isso sem confundir o visitante.
Quando alguém anuncia um valor fechado antes de perguntar qualquer coisa, geralmente está vendendo um modelo pronto com o seu logotipo aplicado. Pode servir, mas é bom saber que é isso.
O que realmente muda o valor
1. Quantidade e tipo de páginas
Uma landing page concentra tudo em uma estrutura só, com um objetivo claro. Um site institucional distribui o conteúdo em páginas separadas: início, sobre, serviços, contato, às vezes uma página por serviço. Cada página nova é planejamento, texto, layout e teste em celular, tablet e computador.
2. Quem escreve o conteúdo
Esse item é o mais subestimado. Se você entrega textos prontos e fotos organizadas, o projeto anda rápido. Se o texto precisa ser construído do zero, alguém vai passar horas entendendo o seu serviço, entrevistando você e escrevendo. É trabalho real e entra na conta.
3. Funcionalidades e integrações
Formulário simples que cai no e-mail é uma coisa. Agendamento online, área de cliente, catálogo com filtros, pagamento, integração com CRM ou com sistema de gestão são outra. Cada integração adiciona desenvolvimento, teste e manutenção futura.
4. Identidade visual existente ou não
Empresa com manual de marca, logotipo em alta resolução e paleta definida economiza várias etapas. Empresa que só tem o logotipo em JPG pequeno vai precisar de um trabalho anterior ao site.
5. Quem executa
Freelancer iniciante, profissional experiente e agência com equipe têm custos diferentes porque assumem riscos diferentes. O ponto não é qual é o mais barato, e sim quem responde por você quando algo quebra seis meses depois.
O que deve estar escrito no orçamento
Antes de comparar valores, confira se a proposta responde a estas perguntas. Se alguma ficar em aberto, ela vira discussão no meio do projeto.
- Quantas páginas estão incluídas e quais são elas.
- Quem escreve os textos e quem fornece as imagens.
- Quantas rodadas de ajuste estão previstas antes da publicação.
- Prazo de entrega e o que acontece se você atrasar o envio do material.
- Se o site é responsivo e será testado em celular de verdade.
- Quais acessos você recebe na entrega (domínio, hospedagem, painel do site).
- O que está incluso de configuração para buscadores.
- Se existe suporte depois da publicação e por quanto tempo.
Os custos que continuam depois da entrega
O valor do projeto é uma coisa. Manter o site no ar é outra, e costuma ser esquecida na hora de decidir.
- Domínio: a renovação anual do seu endereço na internet.
- Hospedagem: o servidor onde o site fica. Barata demais costuma significar site lento.
- Certificado de segurança: o cadeado do navegador. Boa parte das hospedagens já inclui.
- Manutenção: atualizações, backup e correções. Pode ser contratada ou feita por você.
Sinais de que o orçamento barato vai custar caro
Preço baixo não é problema em si. O problema é quando o preço baixo esconde uma dessas situações:
- O site fica hospedado em uma conta que não é sua, e você não recebe os acessos.
- O domínio é registrado no nome de quem desenvolveu.
- Não existe contrato nem escopo escrito, só uma conversa.
- Qualquer alteração futura depende exclusivamente de quem fez.
Nesses casos o custo aparece depois, quando você precisa mudar de fornecedor e descobre que não tem como levar o site junto.
Como comparar duas propostas
Coloque as duas lado a lado e iguale o escopo antes de olhar o valor. Se a proposta A inclui os textos e a B não, some ao valor da B o custo de contratar alguém para escrever. Se a A entrega os acessos e a B não, a B tem um risco embutido que não aparece no número.
A pergunta útil não é “qual é o mais barato”, e sim “qual dos dois me deixa em uma posição melhor daqui a dois anos”.
Em resumo
O preço de um site é o reflexo de três coisas: quanto conteúdo precisa ser criado, quanta funcionalidade precisa ser construída e quem assume a responsabilidade pelo resultado. Antes de pedir orçamento, defina o objetivo do site e liste as páginas que imagina. Com isso na mão, qualquer proposta fica muito mais fácil de avaliar.


