Existe uma situação que se repete bastante: a empresa quer mudar de fornecedor, ou só atualizar um telefone no site, e descobre que não tem acesso a nada. O domínio está no nome de outra pessoa, a hospedagem é de uma conta desconhecida, e o painel do site nunca foi entregue.
Na maioria das vezes não houve má intenção. Houve descuido, dos dois lados. Mas o resultado é o mesmo: você pagou por um site que não controla.
As três chaves de um site
Um site no ar depende de três coisas separadas. Elas podem estar em mãos diferentes, e é exatamente aí que mora o problema.
O domínio
É o seu endereço. Deve estar registrado no CNPJ da sua empresa, com um e-mail da empresa como contato. Essa é a chave mais importante das três: com o domínio na mão, você reconstrói o resto. Sem ele, você perde inclusive o endereço que os clientes conhecem.
No Brasil, domínios .com.br são registrados no Registro.br e você consegue consultar publicamente quem é o titular de qualquer um.
A hospedagem
É onde os arquivos ficam. Se estiver dentro da conta do fornecedor junto com dezenas de outros clientes, você depende dele para qualquer cópia de segurança ou migração. O ideal é uma conta em nome da sua empresa.
O painel do site
É onde você edita textos e imagens. Você precisa de um usuário com permissão de administrador, não de editor. Sem isso você troca uma palavra, mas não instala nada nem dá acesso a outro profissional.
A lista de entrega
Ao receber um site, confira item por item. Guarde tudo em um lugar que a empresa controle, não no e-mail pessoal de um funcionário.
- Acesso ao registrador do domínio, com titularidade no CNPJ da empresa.
- Acesso ao painel da hospedagem.
- Usuário administrador do painel do site.
- Acesso às contas de análise e ao Search Console, se foram configuradas.
- Arquivos originais da identidade visual usados no projeto.
- Uma cópia de segurança completa, com arquivos e banco de dados.
- Informação de onde e quando cada serviço é renovado.
Como checar o que você tem hoje
Dá para fazer um diagnóstico rápido, sem depender de ninguém:
- Consulte o seu domínio no site do registrador e veja de quem é a titularidade.
- Tente entrar no painel do site com o seu usuário e confirme se você é administrador.
- Veja em qual cartão ou conta as renovações são cobradas. Se você não paga nada diretamente, provavelmente não controla nada.
Sobre modelos de aluguel
Existe um formato em que você paga uma mensalidade e o site permanece com o fornecedor. Isso não é golpe, é um modelo de negócio, e pode até servir para quem quer custo inicial baixo e nenhuma responsabilidade técnica.
O problema é quando isso não é dito com clareza e a empresa acredita que está comprando um ativo. Pergunte diretamente: se eu encerrar o contrato, eu fico com o site? A resposta define tudo.
Um site que você não pode levar embora não é um investimento da sua empresa, é uma assinatura.
Se você já está nessa situação
Dá para resolver, e o primeiro passo é sempre o domínio. Peça formalmente a transferência de titularidade. Se o relacionamento estiver ruim e o domínio estiver no nome de terceiro, registre um novo domínio e planeje a mudança: dá trabalho e há perda de histórico, mas é melhor do que seguir sem controle nenhum.
Em resumo
Site é patrimônio da empresa. Trate os acessos como você trata as chaves do escritório: em nome da empresa, guardados em lugar conhecido e conferidos na entrega. Perguntar isso antes de fechar não é desconfiança, é o mínimo de organização.


