Como vender sem depender de marketplace

· 6 min de leitura

Loja propria iluminada saindo de uma grade de caixas padronizadas, representando independencia do marketplace

O marketplace resolveu um problema real: colocou a sua loja na frente de gente que nunca ouviu falar de você. Mas conforme o volume cresce, a conta começa a incomodar. Comissão, frete subsidiado, promoção obrigatória, e no fim do mês a margem que sobra não corresponde ao trabalho. Este texto é sobre como reduzir essa dependência sem fazer besteira e perder o faturamento que já existe.

O que realmente incomoda não é só a comissão

A taxa é a parte visível. Existem outras três que pesam mais no longo prazo.

O cliente não é seu

Você vendeu, entregou e atendeu bem. Só que quem tem o contato daquela pessoa é a plataforma, não você. Na próxima compra, ela volta para o marketplace e pode acabar comprando de outro. Você paga de novo pelo mesmo cliente que já conquistou uma vez.

Você compete só por preço

Dentro do marketplace, o seu produto aparece na mesma grade que o do concorrente, no mesmo tamanho de foto, com o preço em destaque. Não tem onde explicar que o seu acabamento é melhor, que você dá garantia diferente ou que atende pós-venda de verdade. Sobra o número.

A regra muda e você obedece

Comissão sobe, prazo de repasse aumenta, participação em campanha vira condição para manter a visibilidade. Nada disso é negociado com você. Quem depende de um canal só aceita, porque o outro caminho é sumir.

O erro de quem tenta sair de uma vez

A tentação é abrir a loja própria e desligar o marketplace no mesmo mês. Quase sempre dá errado, porque o marketplace não estava vendendo só pela plataforma: estava vendendo pelo tráfego dele. Sem esse tráfego, a loja nova fica vazia e o faturamento cai antes de a estrutura própria engrenar.

O caminho que funciona é conviver com os dois por um período, usando um para alimentar o outro.

Um plano em quatro etapas

1. Descubra o seu número real

Antes de decidir qualquer coisa, calcule quanto sobra de fato: pegue o faturamento do marketplace no último trimestre e subtraia comissão, tarifa por venda, frete que você bancou e desconto de campanha. Compare com o que sobraria na venda direta, incluindo taxa de pagamento e frete.

Muita gente descobre nessa hora que a diferença por pedido paga o custo da loja própria em poucos meses. Outras descobrem que o marketplace ainda é vantajoso para certos produtos. As duas respostas são úteis.

2. Construa o canal que é seu

Aqui existem dois formatos, e escolher errado custa caro.

  • Loja virtual, quando o cliente escolhe, paga e recebe sem falar com ninguém. Preço fixo, compra rápida, muitos pedidos pequenos.
  • Catálogo com pedido de cotação, quando o preço varia por volume, por cliente ou por configuração. A pessoa navega, monta a lista e a negociação continua no WhatsApp.

Quem vende no atacado, trabalha com tabela diferente por lojista ou negocia frete costuma se dar muito melhor com o segundo. Montar carrinho completo nesse caso é complicar sem necessidade. O que muda o custo de cada um está em quanto custa criar uma loja virtual.

3. Comece a capturar o contato

Esta é a etapa que mais rende e a que mais gente pula. Cada pedido que sai pelo marketplace é uma chance de trazer aquela pessoa para o seu canal na próxima compra.

  • Coloque um cartão na embalagem com o endereço do seu site e um motivo para acessar, como garantia estendida ou manual do produto.
  • Ofereça algo que só existe no seu canal: linha completa, item exclusivo, condição para recompra.
  • Respeite as regras da plataforma. Abordagem que desvia a venda dentro do próprio marketplace costuma dar punição. O cartão na caixa, depois da compra concluída, é outro assunto.

4. Traga gente por conta própria

Loja própria sem visitante é vitrine no deserto. As fontes que funcionam para quem está começando:

  • Busca. Uma página por linha de produto, escrita com as palavras que o cliente usa, alcança quem já quer comprar aquilo.
  • Base de clientes antigos. Quem já comprou e gostou é o público mais barato que existe.
  • Redes sociais. Boas para desejo e lançamento, com o link levando para a página do produto e não para a home.
  • Anúncio. Funciona, mas exige a conta do item 1 bem feita: se a margem não cobre o custo do clique, você troca comissão de marketplace por conta de anúncio.

O objetivo não é abandonar o marketplace

Para a maioria das empresas, o cenário saudável não é zero marketplace. É deixar de depender dele.

Enquanto ele for a origem de quase todo o seu faturamento, quem manda no seu negócio é a política de comissão. Quando ele vira um canal entre outros, você recupera a decisão: aceita a campanha se fizer sentido, recusa se não fizer, e sobe preço sem medo de sumir.

Perguntas frequentes

Vale a pena ter loja própria se eu vendo pouco?

Se o volume é baixo e você está começando, o marketplace resolve melhor no início, porque traz o público pronto. A hora de montar o canal próprio é quando a operação já tem recorrência e a comissão vira um valor relevante no fim do mês. Faça a conta do item 1 antes de decidir.

Posso ter loja própria e continuar no marketplace?

Pode, e é o mais comum. As plataformas não proíbem que você venda no seu site. O que costuma ser proibido é usar a comunicação interna delas para desviar a compra. Vender nos dois lugares, com preço e condição próprios em cada um, é normal.

Preciso cobrar mais barato no meu site para compensar?

Não precisa e às vezes nem convém. Como você não paga comissão, dá para manter o mesmo preço e ficar com a margem, ou oferecer algo que não seja desconto: frete melhor, brinde, garantia estendida, atendimento direto. Guerra de preço com o próprio anúncio confunde o cliente.

Como recebo o pagamento sem o marketplace?

Por meio de um intermediador de pagamento contratado por você, que oferece Pix, cartão e boleto. A taxa existe, mas é bem menor que a comissão. Isso entra na conta do primeiro passo, junto com a hospedagem e o custo do site.

Em resumo

Comece pela conta, não pela vontade: descubra quanto sobra por pedido em cada canal. Escolha entre loja virtual e catálogo pelo jeito que o seu preço funciona. Use o marketplace para conquistar cliente e o seu canal para mantê-lo. E não desligue nada antes de o canal próprio estar trazendo gente sozinho.

Quer um site que trabalha pela sua empresa?

Conte em poucas linhas o que a sua empresa faz e receba uma orientação sobre a estrutura mais adequada, sem compromisso.