Site para clínica e consultório: o que pode, o que não pode e o que faz o paciente agendar

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Estetoscópio de cobre ao lado de um calendário com um dia marcado em âmbar, representando o agendamento de consulta em clínica

Site de clínica, consultório ou profissional de saúde tem duas exigências que site de outra empresa não tem: precisa respeitar as regras de publicidade do conselho profissional e precisa fazer uma pessoa ansiosa, muitas vezes com dor, confiar o suficiente para agendar. Para médicos, a regra atual é a Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, que liberou bastante coisa que antes era proibida e manteve vetos claros. Este artigo explica o que mudou e o que fazer no site.

O que a regra atual do CFM permite no site

A resolução de 2023 abriu espaço que a anterior, de 2011, não dava. Hoje o médico pode:

  • Divulgar o preço da consulta. Antes era vetado. Agora é permitido, e para o paciente é uma das informações mais procuradas.
  • Fazer campanha promocional, desde que sem venda casada e sem premiação.
  • Mostrar imagens de antes e depois, com condições: caráter educativo, texto explicando indicações e fatores que podem prejudicar o resultado, paciente não identificável, imagem sem manipulação, e dentro da especialidade registrada.
  • Mostrar o consultório, a equipe e os equipamentos. Ambiente real de trabalho passou a ser permitido.
  • Repostar elogios de pacientes e anunciar pós-graduações concluídas.

O que continua proibido

Os vetos que ficaram são os que protegem o paciente de promessa. Continua proibido prometer resultado, usar expressões como “o melhor”, “o único” ou “garantido”, divulgar preço de procedimento, porque ele depende de avaliação prévia, e qualquer conteúdo sensacionalista ou inverídico. Anunciar especialidade sem o registro correspondente, o RQE, também segue vetado.

Três informações são obrigatórias em qualquer página que fale do médico: nome, número do CRM e, se anunciar especialidade, o número do RQE. O CFM publicou um Manual de Publicidade Médica com exemplos do que passa e do que não passa, e vale ler antes de escrever o site.

Dentistas seguem o CFO, psicólogos o CFP, nutricionistas o CFN, e cada conselho tem a própria resolução. As regras são parecidas no espírito, mas diferentes nos detalhes, e o site precisa seguir a do conselho certo.

O que o paciente procura antes de agendar

Quem pesquisa clínica no Google está resolvendo um problema pessoal e quer quatro respostas rápidas. Se o site não responde, a pessoa volta para a busca e abre o próximo.

  1. Trata o que eu tenho? Uma página por especialidade ou por procedimento, com o nome que o paciente usa, não o termo técnico. Quem procura “dor no joelho” não digita “ortopedia”.
  2. Quem vai me atender? Foto real, nome, CRM, formação e o que essa pessoa faz de verdade. Foto de banco de imagem aqui derruba confiança na hora.
  3. Aceita meu convênio e quanto custa a consulta? As duas informações mais buscadas e as que mais faltam nos sites. Se você não atende convênio, diga. Se atende, liste. O preço da consulta, agora que pode, vale publicar.
  4. Como eu marco? WhatsApp, telefone ou agendamento online, visível em toda página, principalmente no celular. Paciente não quer procurar o botão.

Agendamento online: quando vale e quando atrapalha

Agendamento direto pelo site funciona muito bem para consulta de rotina, retorno e exame simples, e liberta a recepção de metade das ligações. Funciona mal para primeira consulta de caso complexo, onde o paciente quer conversar antes, e para clínica que ainda não tem agenda digital confiável, porque horário marcado pelo site e não confirmado gera falta e reclamação.

O formato que mais funciona em clínica pequena é misto: botão de WhatsApp em destaque, com mensagem pronta que já pergunta nome, convênio e especialidade, e a recepção confirmando. O critério entre os dois canais está em formulário ou WhatsApp.

Dados de saúde são dados sensíveis

A LGPD trata informação de saúde como dado sensível, com exigência maior do que nome e telefone. Isso muda o formulário do site: não peça sintoma, diagnóstico ou histórico antes da consulta. Peça nome, contato e especialidade desejada, e deixe o resto para a conversa. Também muda o WhatsApp: mensagem com dado de saúde no celular pessoal de um funcionário é exposição. O mínimo que todo site precisa ter está em LGPD no site da empresa, e para clínica o cuidado é maior.

Onde clínica ganha ou perde no Google

Para clínica, o perfil da empresa no Google, aquele do mapa, costuma trazer mais paciente do que o site. Avaliação, horário, telefone e foto real decidem boa parte das escolhas antes de qualquer clique. O site entra depois, para confirmar quem atende e como marcar. Os dois se completam, e o perfil está detalhado em perfil da empresa no Google.

No site, a diferença está em ter página própria para cada especialidade e cada procedimento, escrita em linguagem de paciente. Uma clínica com dez especialidades e uma única página “Serviços” não aparece para nenhuma delas.

Perguntas frequentes

Posso colocar depoimento de paciente no site?

Para médico, a resolução de 2023 permite repostar elogios, desde que sem identificar o paciente sem autorização e sem transformar o elogio em promessa de resultado. Depoimento que diz “fiquei satisfeito com o atendimento” passa. Depoimento que diz “curou minha doença em duas semanas” não passa. Para outros conselhos, confira a regra específica.

Posso divulgar o preço de um procedimento?

De consulta, sim. De procedimento, não, porque o valor depende de avaliação individual e anunciar antes é considerado sensacionalismo. O caminho aceito é dizer que o valor é definido em consulta e convidar para agendar.

Preciso colocar o CRM em toda página?

Em toda página que apresente o médico ou fale de atendimento, sim: nome, CRM e RQE se houver especialidade. Na prática, o mais seguro é colocar no rodapé do site, que aparece em toda página, e repetir na página de cada profissional.

Clínica pequena precisa de site se já tem Instagram?

Instagram mostra o dia a dia, mas não responde “aceita meu convênio” nem aparece quando alguém pesquisa a especialidade no Google. O site responde as perguntas de decisão e o perfil no Google traz o paciente do bairro. Os três têm função diferente.

Quem revisa se o meu site está dentro da regra?

A responsabilidade é do profissional, não de quem fez o site. Quem constrói deve conhecer a regra e alertar, mas a revisão final é do médico ou da clínica, e em caso de dúvida a consulta é ao próprio conselho regional, que responde a esse tipo de pergunta.

Em resumo

Site de clínica precisa respeitar o conselho e convencer uma pessoa ansiosa, nessa ordem. A regra atual do CFM permite mais do que muita gente acha, incluindo preço de consulta e foto do consultório, e veta o que sempre vetou: promessa. Comece pelo teste mais simples: abra o seu site no celular e tente descobrir, em trinta segundos, se você aceita convênio e como se marca. Se não conseguir, o paciente também não consegue.

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